História
     
 
A história do Labirinto
Deus joga RPG?*
 

Detalhes da nossa própria aventura

Qual era a mágica que nos tornou do dia para noite em prisioneiros da imaginação? Que substância, ou similar, nos levava a este delírio?

Não havia mágica muito menos substância. Nós já havíamos nascido prisioneiros da imaginação. Só não sabíamos disso. E a chave para abrir os portais deste novo mundo foi, no começo da história, o RPG.

O RPG é um tipo de jogo. São as iniciais de "Role Playing Game", ou "Jogo de Representação". Pense nos jogos de tabuleiro que você conhece e seus elementos: os peões, representando cada jogador, o tabuleiro, representando o cenário da ação e os dados, inserindo um elemento aleatório aos movimentos estratégicos. No RPG estes mesmos elementos tomam outras proporções. Imagine que o peão possa representar um personagem com várias características, como força, inteligência e destreza. O tabuleiro é todo um cenário sem limites no espaço. Os dados, combinados com as estatísticas de cada personagem, determinam a probabilidade de uma ação acontecer.

Naqueles primeiros anos da faculdade, o Mestre Hanada, aluno do 2º ano, aprendia o significado desta sigla. Ele precisava de uma turma para pôr em prática o potencial deste novo mecanismo de diversão.

Esta turma apareceu: era Arcano 9, Haqeen, Hugh, Neanthertal e Malone nos seus respectivos primórdios. Havia também o Iaba e outros muitos. Em breve, estaríamos em volta de uma mesa, ouvindo sobre as crônicas de um mundo onde a aventura nunca tem fim.

O RPG é um mergulho na própria imaginação. O chamado "mestre" (o mestre do jogo) conta uma história na qual os jogadores são os personagens. O delírio é próximo do de se sentir dentro do filme "O Senhor dos Anéis". Para muita gente isso é tedioso. Para nós, era a dose de adrenalina que deixava a vida mais interessante...

Nós queríamos mostrar o que era isso para as outras pessoas. A emoção que tentamos passar no Labirinto é um aspecto da emoção do RPG. E, para passar esta experiência, precisávamos somente de imaginação. Como não inventaram isso antes? Como gastamos o início da juventude sem ter tido contato com essa brincadeira tão simples e colossal?

A faculdade que freqüentávamos era de Comunicação e o Malone precisava entregar um projeto para a matéria de Radiojornalismo. O projeto do Malone foi sobre RPG e chamou a turma para dramatizar um jogo.

A rádio-novela era perfeita para mostrar o que era o tal RPG. Nas sessões dos jogos, já usávamos trilhas sonoras para fazer um clima de mistério. Também já representávamos alguns trechos, nos chamados "live-actions" (que significa "ação ao vivo"). A sigla RPG, afinal de contas, significa "jogo de representação". O Malone acabou gravando e montando uma pequena história.

O resultado surpreendeu a professora do curso: "Por que vocês não levam isso para uma rádio comercial?". Era muito animador empreender algo no mundo real com a mesma turma que se juntava para matar monstros imaginários! No final de 1993, gravamos um K7 de demonstração. Uma nova campanha começava...

Em paralelo, o Arcano 9 respondeu a uma vaga de estágio na Rádio USP e comentou por cima, durante a entrevista, da idéia da fita K7. O estágio miou. Mas a Rádio se interessou em ouvir a demonstração.

O projeto era um programa bastante original para a época, por oferecer rádio-novelas para um público jovem e por apresentar escolhas para a narrativa. Os ouvintes ligavam para a rádio para decidir os rumos da aventura.

Em junho de 1994 estreou o programa "Labirinto, Prisioneiros da Imaginação" veiculado na Rádio USP da capital paulista aos sábados e domingos, das 12:00 às 13:00 horas. Nós, os produtores, tínhamos por volta de 19 anos.

Foram mais de 70 aventuras no 1 ano e meio em que o programa esteve no ar. Por um motivo ou outro, encerramos as transmissões em janeiro de 1996. Desde então, nunca deixamos de sonhar com as histórias do nosso velho programa e acreditar na volta do Labirinto. Durante todo este tempo, a chama não se apagou, nem por um minuto.

Agora, o destino quis que ele voltasse, 12 anos depois. Ouça os tambores de guerra: eles anunciam um novo nascimento.

Hoje, somos especialistas em atividades que nos pagam as contas. Mas o Labirinto nos tornou parte de uma história épica. E a isso nada se compara: o ouro perde seu brilho e o cetro seu poder.

Se você se divertir ouvindo tanto quanto nós nos divertimos fazendo, terá uma experiência única.

E para finalizar, o mundo é cheio de possibilidades, camarada. Não desista! Não perca a sua aventura sob a névoa das futilidades. A aventura aguarda certa àqueles que têm o coração puro**. Acredite, ela virá quando você estiver preparado. Pode levar três, quatro, vinte anos. Não importa. Tenha fé: ela virá.

Muito obrigado para os ouvintes que também esperaram e não desistiram nestes 12 anos. Vocês são nossos maiores heróis e também fazem parte desta história.

Um grande abraço da equipe do Labirinto!

*Nós achamos que sim e o objetivo é subir de nível através do acúmulo de pontos de experiência. Referência à frase de Albert Einstein "Deus não joga dados".

**O coração puro têm aqueles que exercitam a mais profunda sinceridade consigo mesmo. Não tem nada a ver com ingenuidade.

A continuar...
 

 
01.11.2012
Fan page do Labirinto
Labirinto estréia sua fan page no Facebook! Acesse e curta a nova aventura Britúnia II... Aguardamos vocês lá!!
 
08.05.11
Labirinto 1994-1995
As histórias originais do programa Labirinto, Prisioneiros da Imaginação. Preciosidades arqueológicas do arquivo de fitas de João Matos.
 
// MAIS DESTAQUES

 
     
© Labirinto Podcast - Copyleft 2010 - Todos os direitos reservados.